terça-feira, 1 de outubro de 2013

Matéria: O Batman: A trajetória multimídia-Parte 2

Entre os super-heróis dos quadrinhos, não há dúvidas que o Batman teve o maior número de adaptações em série de desenhos animados e longa metragens em animação lançados diretamente em VHS, Dvds e Blu Ray, tanto como protagonista principal, como coadjuvante interagindo com outros personagens.
Em diversos casos, as animações também são uma extensão do sucesso do personagem em outras produções, caso da série animada "The Adventures of Batman" de 1968 produzida pelos estúdios da Filmation, que seguia todo estilo do seriado de TV anteriormente produzido em 1966 responsável pela primeira onda chamada "Bat-Mania" em todo mundo.
Também da clássica Filmation de Lou Scheimer veio em 1977 a animação "The New Adventures of Batman" na qual além de Robin, trazia ao lado do Homem-Morcego a Batgirl e o duende Bat-Mite, batizado na dublagem brasileira como Bat-Mirim, aprontando confusões que davam o maior apelo cômico. Essa série ainda trouxe de volta os atores Adam West e Burt Ward aos papéis que os imortalizaram no seriado de 1966, interpretando novamente as vozes da dupla dinâmica nessa produção.
Com design visual criado por Alex Toth, Batman foi presente em todas temporadas da série animada "Superamigos" produzida de 1973 a 1985 pelos estúdios Hanna-Barbera, baseada na Liga da Justiça da DC Comics. Nas duas últimas temporadas "SuperFriends: The Legendary Super Powers Show" (1984) e "The Super Powers Team: Galactic Guardians" (1985), Adam West mais uma vez interpretou a voz do Homem-Morcego na dublagem original.
Em "The Super Powers Team: Galactic Guardians" de 1985, além de um visual mais detalhado inspirado na arte de Jose Luis Garcia-Lopez, e histórias mais sérias, a série mostrou pela primeira vez Batman retirando sua máscara e revelando o rosto de Bruce Wayne:
A mesma temporada ainda apresentou diversos veículos interessantes além do Batmóvel e do Batplano apresentados nas temporadas anteriores, entre os mesmos:
BatBuggy
The Bat-Rocket (ou Bat-Foguete)
Batcóptero
Mas a 1ª aparição do Batman pelos estúdios da Hanna-Barbera veio antes de Superamigos, em um encontro inusitado em 1972 na série animada "The New Scooby-Doo Movies". Além dos personagens tradicionais da turma do Scooby-Doo, cada episódio desta série trazia convidados especiais, celebridades da TV ou cinema que ajudavam a Mistérios S.A. a resolver o caso da história. No segundo episódio da primeira temporada em 1972, chamado "Operação Dupla Dinâmica", Batman e Robin encontram Scooby-Doo e sua turma e juntos enfrentam os vilões Coringa e Pinguim. No 15º episódio "O Dinamismo da Dupla Dinâmica"  o grupo da Mistérios S/A volta a se encontrar com os heróis para novamente encarar a dupla de vilões. Esses episódios históricos foram lançados pela Warner Home Vídeo na edição especial "Scooby-Doo encontra Batman" disponível no Brasil em Dvd, ainda pode ser encontrado:
O inusitado encontro de Batman com Scooby-Doo tornou-se tão cult que a Warner prestou sua homenagem em um episódio da série Batman-Os Bravos e Destemidos. Tudo cortesia de Paul Dini no episódio "Bat-Mite Presents: Batman's Strangest Cases!", o 51º episódio da série na segunda temporada exibido em 2011. O novo crossover só foi possível devido a Warner Bros. Animation ter adquirido os estúdios Hanna-Barbera em 2001, com o mesmo todo seu elenco de personagens:
Outro super-herói original do elenco da Hanna-Barbera que marcou presença na série de Batman-Os Bravos e Destemidos foi o vigilante espacial Space Ghost. O encontro aconteceu no curta de abertura do 61º episódio da série, que precede a trama seguinte sem vínculo com a história principal, onde Batman e Space Ghost se unem para salvar os jovens irmãos parceiros de Space Ghost, Jan e Jace, e o macaco mascote Blip, de um domador de criaturas espaciais monstruosas. Tudo no mais puro clima dos anos 1960. Embora curto, tornou-se um encontro antológico. 
Com o final da série Superamigos em 1985, o Homem-Morcego ficou fora dos holofotes de outras mídias, além da antológica minissérie "O Retorno do Cavaleiro das Trevas" de Frank Miller em 1986, voltando e dando início a uma nova onda de Bat-Mania em 1989 com uma expressiva campanha de marketing do filme "Batman" de Tim Burton, seguido de "Batman-O Retorno" em 1992 e da série animada de Paul Dini e Bruce Timm, conforme  já relatamos na primeira parte dessa matéria (veja clicando AQUI!).
Em 1996, Bruce Timm deu segmento ao seu legado de magistrais animações DC lançando "Superman: A Série Animada" (Superman: The Animated Series) que rendeu 54 episódios do Homem de Aço até o ano 2000.
Em 1997 os 29º e 30º episódios, exibidos na segunda temporada da série, trouxeram a história "Os Melhores do Mundo" (World's Finest no original), onde o Coringa e Lex Luthor criam uma aliança e trocam de cidade e inimigos, promovendo o primeiro encontro de Batman com Superman e interligando o universo de animações da DC Warner.
Esses episódios são uma adaptação da minissérie em quadrinhos homônima de 1991 escrita por Dave Gibbons e ilustrada por Steve Rude, já o título foi inspirado na série em quadrinhos que existia em World's Finest Comics, título team-up protagonizado pelos dois heróis publicado no período Pré-Crise nas Infinitas Terras.
 
Os episódios de Superman & Batman: Os Melhores do Mundo também foram lançados em um Dvd especial no Brasil pela Warner Home Vídeo, e também ainda é possível encontrá-lo em lojas virtuais:
Mas a máxima produção de Bruce Timm e Paul Dini veio em 2001 com a série "Liga da Justiça" seguida em 2004 por "Liga da Justiça Sem Limites". Seguindo uma cronologia própria criada nas séries animadas anteriores do Homem-Morcego e do Homem de Aço, Batman é membro fundador do grupo e decisivo em momentos importantes da série. Se antes, era comum os personagens dos quadrinhos serem adaptados para a TV e cinema, o sucesso de animações como essa passou a fazer o papel inverso, influenciando as HQs e resgatando personagens clássicos. Um exemplo foi o envolvimento romântico do Batman com a Mulher Maravilha nos quadrinhos DC na época, envolvimento esse originalmente criado nessa série animada.
Confira a primeira parte dessa matéria clicando AQUI!
Continua na terceira parte, clique AQUI!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Matéria: O Batman: A trajetória multimídia-Parte 1



Pessoalmente conheci o Batman através de uma série de TV produzida entre 1966 e 1968, com Adam West e Burt Ward nos papéis de Batman e Robin que os imortalizaram, e exibida no Brasil por décadas. Criada propositalmente com a conotação do chamado "humor camp", muitos levaram à sério o que deveria ser uma diversão descompromissada.

A série foi um sucesso sem precedentes em sua época... Deu início a primeira onda chamada "Bat-Mania", salvou as HQs do herói da ameaça de cancelamento na época por baixas vendas, popularizou o personagem em todo mundo e tornou-se líder de audiência em vários países onde foi exibida...Cada episódio era uma superprodução em termos de custo nos anos 1960...E levou o Batman pela primeira vez aos cinemas na forma de um filme longa-metragem.
Já na metade dos anos 1980... Veio a minissérie em HQs Best seller de Frank Miller, "O Retorno do Cavaleiro das Trevas", que de certa forma não recriou, mas sim resgatou os conceitos originais do Homem-Morcego nas HQs de Bob Kane e Bill Finger, como um personagem gótico, impiedoso e violento.
O sucesso da minissérie de Miller influenciou todos os roteiristas posteriormente, e Batman foi ganhando tons cada vez mais soturnos...Se tornando cada vez mais gótico, sinistro e violento...E com isso cativando uma nova geração de fãs, menos inocentes que a prole da psicodélica década de 1960, fãs condizentes com um mundo mais violento e sinistro em vários aspectos...E essa tendência foi seguida nos cinemas em 1989 e 1992 pelo diretor Tim Burton.

A partir daí, toda geração que conheceu o Homem-Morcego "das Trevas" passou a abominar a série televisiva sessentista, como algo bizarro, que difamava a imagem do herói, e qualquer fã que defendesse o seriado era sumariamente bombardeado pelos fãs do morcego da geração Miller... 


...Porém, recentemente, uma nova onda nostálgica promovida pelo lançamento de dezenas de itens de merchandising inéditos do Batman de 1966, antes restritos por um impasse de direitos autorais entre a Fox, produtora da série, e a Warner, detentora da marca registrada Batman, agora em acordo deram a sonhada liberdade para produção de itens inspirados no seriado como HQs, action-figures, Toy Art, Die Cast, memorabilias entre outros, fazendo dezenas de fãs que antes criticavam a série (sem muito conhecimento de causa) agora defende-la usando a argumentação do "Cult”... Em alguns casos, certamente o amadurecimento do fã pode ser a causa dessa mudança de opinião, sendo a maturidade a principal razão para o mesmo entender melhor a série, sua importância e significado de sua época...Mas em muitos e muitos casos, ainda que jamais vão admitir, é hipocrisia mesmo, e a motivação para defender a outrora repudiada produção, nada mais é que um impulso consumista motivado pela onda nostálgica revitalizada nos produtos recém lançados.
O diretor Joel Schumacher tentou em 1995 resgatar nos cinemas o visual psicodélico dos anos 1960 no filme "Batman Eternamente", incluindo a parceria com Robin abolida há anos nas histórias do Batman. Os tons góticos dos filmes anteriores de Tim Burton foram substituídos por Schumacher em uma Gotham City mais colorida, com uma luxuosa apresentação circense, gangues tatuadas com tintas fosforescentes e até uma Bat-Caverna e um Batmóvel iluminados com luzes de neon. Parte do humor camp do seriado sessentista foi incluído nesse filme, ainda que de forma mais subliminar... E as mudanças deram resultados positivos, nas bilheterias e até entre os fãs...E hoje muitos que elogiaram agora criticam a produção. 
O sucesso fez a Warner novamente contratar Joel Schumacher para dirigir a continuação da franquia nos cinemas, e com mais liberdade, Schumacher maximizou seus conceitos em "Batman & Robin" de 1997... Talvez a intenção do diretor estadunidense fosse resgatar ainda mais o clima leve do Batman dos anos 1960, em entrevista Schumacher chegou a declarar que achava que o público havia se cansado do Batman depressivo que vivia eternamente lamentando a morte dos pais, e sua intenção era resgatar um clima mais "familiar" presente na série sessentista, incluindo além de Robin também a Batgirl, e estreitando a relação paterna do mordomo Alfred com Bruce Wayne, mas não funcionou... O exagero no humor camp, não mais funcional para o herói recriado nas trevas na década anterior...A exagerada exploração de fetiches eróticos nos personagens, explorados em roupas de borracha justas com mamilos esculpidos e imagens em close-up de suas nádegas ao vestirem seus trajes...O excesso de cores na fotografia do filme...Somados a um roteiro infantil fizeram um fracasso de crítica e bilheteria que afundou a franquia tão lucrativa deixando o Batman fora dos cinemas pelos 8 anos seguintes. Justamente porque Batman & Robin de 1997 não refletia mais o personagem como fora apresentado a toda geração dos anos 1980 e primeira metade dos anos 1990 nos filmes anteriores, TV e HQs.
Em 2005, Christopher Nolan resgatou novamente os conceitos originais do personagem soturno, vingativo e violento com "Batman Begins", dando início a uma nova trilogia de sucesso, com uma conotação mais realista em clima de suspense policial, que tornou o Homem-Morcego novamente líder nas bilheterias cinematográficas.


Seria então a "fórmula" infalível de sucesso manter eternamente o Batman como o "Cavaleiro das Trevas"? Como um reflexo do lado mais obscuro, violento e vingativo da sociedade?

Para refletir sobre isso, é preciso relembrar uma década que pulamos nas analises do herói acima... A década de 1970...Onde o escritor Denny O' Neil em dupla com o desenhista Neal Adams trouxeram o Batman nos quadrinhos de volta as suas raízes em histórias inesquecíveis, mas em meio-termo, sem o humor exagerado, mas também sem o clima depressivo e violento imposto na década seguinte...Nessa época, o Batman era sombrio nas trevas quando precisava ser, mas também é humano e humilde na luz quando necessário, o Batman sabia ser violento e implacável em combate, mas também sabia ser amigo e bem humorado com seus próximos...O herói se tornava mais "super" por seus ideais e exemplos deixados por seus pais, do que por uma vingança pessoal por suas mortes.
O conteúdo e clima dessa época é bem refletido na série animada "Batman-The Animated Series" de 1992, onde o roteirista e produtor Paul Dini e o ilustrador, animador e produtor Bruce Timm adaptaram de forma magistral diversas HQs clássicas de O' Neil e Adams da década de 1970 em episódios da série, incluindo elementos dos filmes de Tim Burton que eram o sucesso do herói nos cinemas na época. Tudo de forma tão equilibrada que renderam diversos prêmios da imprensa, consagração pelos fãs e tornaram a série para muitos a melhor adaptação do Batman além das HQs, determinando um estilo de animação seguido até hoje.
De maneira similar em 2011 o produtor James Tucker resgatou o clima do seriado e dos quadrinhos de Dick Sprang da década de 1960 na série animada Batman: The Brave and the Bold (Batman: Os Bravos e Destemidos) onde o tom mais sombrio das animações anteriores do Homem-Morcego foi substituídos por roteiros mais bem-humorados, porém sem ser um humor pastelão. A série tem uma conotação mais infantil sem ser algo abobalhado... Ainda em parceria com o herói traz tanto diversos heróis da chamada Era de Ouro dos Quadrinhos dos anos 1940 quanto mais contemporâneos sem parecerem datados...


E apresenta vilões obscuros e pitorescos, mas sem uma apresentação tão caricata.
Enfim, desde 1939 quando foi criado, o Batman sempre trouxe elementos condizentes com cada década, que cativaram diferentes gerações com pontos positivos e negativos. Equilibrar os pontos positivos de cada época para moldar o personagem, sem ignorar suas raízes de sucessos passados, talvez seja a melhor apresentação do mesmo... Sintonizando o Homem-Morcego com os tempos atuais e futuros, porém sem jamais menosprezar os elementos passados, não só pela nostalgia, mas por serem os alicerces que consolidaram o super-herói em um sucesso multimídia que atravessa décadas e cativa geração após geração de fãs.
Continua...veja clicando AQUI!